Em um cenário social marcado por julgamentos rápidos, cancelamentos e intolerância, cresce a sensação de que qualquer erro alheio merece uma resposta dura e imediata. Porém, segundo o especialista em desenvolvimento emocional e padrões de vida Psicólogo Eduardo, essa postura revela menos sobre quem errou e mais sobre quem julga. “A dificuldade em perdoar, compreender ou acolher a falha do outro costuma estar relacionada à incapacidade de lidar com as próprias imperfeições”, afirma.
O psicólogo explica que o ser humano aprende, desde cedo, a associar erro com punição, vergonha ou perda de valor. Em algumas famílias, falhar significava ser criticado, humilhado ou comparado com outras pessoas. Essa experiência deixa marcas emocionais profundas: adultos que cresceram assim tendem a reagir com dureza quando veem alguém errando, porque o erro desperta lembranças emocionais, mesmo que não sejam conscientes, da própria vulnerabilidade que tentam esconder.
Para muitas pessoas, apontar a falha do outro funciona como mecanismo de defesa. Criticar, julgar ou “atirar a pedra” cria uma sensação momentânea de superioridade e controle, mascarando inseguranças internas. Eduardo ressalta que, quando alguém reage de maneira extremamente rígida a um deslize alheio, isso geralmente não tem a ver com justiça, mas com medo: medo de errar, medo de ser exposto, medo de perder valor ou respeito.
Há também o fenômeno da idealização da própria imagem. Alguns indivíduos acreditam, mesmo sem perceber, que precisam ser impecáveis para serem amados ou aceitos. Quando se deparam com o erro de outra pessoa, projeta-se naquele acontecimento a raiva de não conseguir ser tão “perfeito” quanto desejam. Assim, o julgamento vira um espelho invertido: critica-se o outro para não olhar para dentro.
Essa lógica emocional se intensifica em ambientes competitivos, rígidos ou moralistas. Nesses contextos, o erro é visto como fracasso, e não como parte natural da experiência humana. Eduardo destaca que, ao adotar essa postura, a pessoa se desconecta da própria humanidade. Afinal, errar é inevitável, e aprender com isso é o que constrói maturidade.
Ao longo do desenvolvimento, uma pessoa que conviveu com empatia, diálogo e acolhimento tende a se tornar mais compreensiva e menos reativa. Já quem cresceu sob crítica constante desenvolve o que o psicólogo Eduardo chama de “sensibilidade elevada ao erro”, tanto ao seu quanto ao dos outros. Isso pode se transformar em agressividade verbal, rigidez moral ou intolerância. O problema é que essa postura cria relacionamentos frágeis, medrosos e distantes: se ninguém pode falhar, ninguém pode ser verdadeiro.
Reconhecer isso não significa passar a mão na cabeça de comportamentos prejudiciais, mas entender que todo ser humano está em processo. Largar a pedra é, antes de tudo, um ato de coragem emocional. É admitir que também erramos e que, justamente por isso, somos capazes de compreender.
O psicólogo Eduardo reforça que a transformação começa quando a pessoa aprende a olhar para suas próprias imperfeições com honestidade e compaixão. Ao reconhecer seus limites, ela naturalmente se torna mais gentil com o outro. A rigidez perde espaço, e em seu lugar surge uma postura madura, responsável e consciente. Para isso, é fundamental desenvolver a habilidade de observar a própria reação antes de puni-la no mundo externo.
A seguir, estão orientações práticas para quem deseja diminuir o julgamento e construir relações mais humanas:
Sinais de que você pode estar “atirando pedras” sem perceber
