Por Psicólogo Eduardo · eduardogoncalvespsico.com
Acordar e olhar as notícias. Durante o trabalho, conferir as redes sociais. Antes de dormir, acompanhar mais uma atualização. Muitas pessoas vivem conectadas a acontecimentos do mundo, mesmo quando essas informações não têm relação direta com suas decisões ou com sua realidade imediata.
O problema não está em buscar informação. Estar informado é importante. A dificuldade começa quando o consumo se torna repetitivo, compulsivo e acompanhado de sofrimento emocional.
Esse comportamento é frequentemente chamado de doomscrolling: a busca contínua por notícias negativas, ameaçadoras ou perturbadoras, mesmo quando a pessoa percebe que aquilo está fazendo mal.
Por que é tão difícil parar?
Nosso cérebro possui mecanismos de atenção voltados à identificação de informações relevantes para a sobrevivência. Notícias sobre violência, crises, acidentes e ameaças podem capturar nossa atenção justamente por apresentarem conteúdos emocionalmente significativos.
Além disso, a possibilidade de encontrar uma nova informação pode estimular a continuidade da navegação. É como se a pessoa pensasse: “Só mais uma notícia, talvez eu encontre algo que me tranquilize”. Entretanto, muitas vezes acontece o contrário: quanto mais informações negativas são consumidas, maior pode ser a sensação de insegurança.
O que a ciência já identificou?
Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2026 reuniu 44 estudos sobre doomscrolling e saúde mental. Os pesquisadores encontraram associações entre esse comportamento e maiores níveis de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico, além de menor bem-estar.
É importante destacar que os resultados não demonstram que o consumo de notícias negativas cause diretamente esses problemas. Os próprios pesquisadores classificaram a certeza das evidências como muito baixa, apontando limitações metodológicas.
Como estabelecer uma relação mais saudável com a informação?
- Escolha horários específicos para acompanhar notícias.
- Evite iniciar e terminar o dia consumindo conteúdos perturbadores.
- Procure fontes confiáveis e evite compartilhar informações sem verificar.
- Observe como seu corpo e suas emoções reagem depois de navegar.
- Interrompa a busca quando perceber que está apenas repetindo o mesmo ciclo.
- Reserve momentos do dia para atividades que não envolvam telas.
Uma reflexão importante
Você pode se importar com o que acontece no mundo sem precisar carregar emocionalmente todos os acontecimentos. Estar informado não significa estar permanentemente em estado de alerta.
Conteúdo produzido por Psicólogo Eduardo | eduardogoncalvespsico.com
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Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Não substitui avaliação psicológica ou atendimento individualizado.

